A  AUTORIDADE

01 / Deus

Há somente um Deus vivo e verdadeiro, o qual é um Ser pessoal infinito, inteligente e espiritual. Deus é o Criador, Redentor, Sustentador e Legislador do universo, sendo digno de receber toda a honra e glória através do mais puro amor, reverência, adoração e obediência. O eterno Deus revela-se a cada um de nós como Pai, Filho e Espírito Santo, os quais possuem atributos pessoais distintos, mas sem divisão de natureza, ser ou essência. É a Santíssima Trindade.

02 / Deus Pai

Deus como Pai reina absoluto sobre o seu universo, as suas criaturas e o curso da História da humanidade de acordo com os propósitos da sua abundante graça. Ele é Omnipotente, Omnisciente e Omnipresente, sendo perfeito em amor e sabedoria. Segundo a Bíblia Sagrada, Ele é verdadeiramente Pai para todos os que aceitam Jesus Cristo, seu Único Filho, como Salvador pessoal.

03 / Jesus Cristo como Senhor

A fonte suprema da autoridade cristã é o Senhor Jesus Cristo. Sua Soberania emana de eterna divindade e poder –como o Unigénito Filho do Deus Supremo– de Sua redenção vicária e ressurreição vitoriosa. Sua autoridade é a expressão de amor justo, sabedoria infinita e santidade divina, e se aplica à totalidade da vida. Dela procede a integridade do propósito cristão, o poder da dedicação cristã, a motivação da lealdade cristã. Ela exige a obediência aos mandamentos de Cristo, dedicação ao Seu serviço, fidelidade ao Seu Reino e a máxima devoção à Sua Pessoa, como o Senhor vivo.

A Suprema fonte de autoridade é o Senhor Jesus Cristo e toda esfera da vida está sujeita à Sua Soberania.

04 / O Espírito Santo

O Espírito Santo é a presença activa de Deus no mundo e, particularmente, na experiência humana. É Deus revelando Sua Pessoa e vontade ao homem. O Espírito, portanto, é a voz da autoridade divina. O Espírito de Cristo e Sua autoridade, é a vontade de Cristo. Visto que as Escrituras são o produto de homens que, inspirados pelo Espírito, falaram por Deus, a verdade da Bíblia Sagrada expressa a vontade do Espírito, compreendida pela iluminação do Mesmo. Ele convence aos homens do pecado, da justiça e do juízo, tornando, assim, efectiva a Salvação individual, através da Obra salvadora de Cristo. Ele habita no coração do cristão, como advogado perante Deus e intérprete para o homem. Ele atrai o fiel para a fé e a obediência e, assim, produz na sua vida os frutos da santidade e do amor.

O Espírito procura alcançar a vontade pelos propósitos divinos entre os homens. Ele dá aos cristãos poder e autoridade para o trabalho do reino e santifica e preserva os redimidos, para o louvor de Cristo; exige uma submissão livre e dinâmica à autoridade de Cristo e uma obediência criativa e fiel à Palavra de Deus.
O Espírito Santo é o próprio Deus revelando Sua Pessoa e vontade aos homens. Ele, portanto, interpreta e confirma a voz da autoridade divina.

05 / A Bíblia Sagrada

A Bíblia Sagrada fala com autoridade porque é a Palavra de Deus. É a suprema regra de fé e prática porque é testemunha fidedigna e inspirada dos actos maravilhosos de Deus, através da revelação de Si mesmo e da redenção, sendo tudo patenteado na vida, nos ensinamentos e na Obra salvadora de Jesus Cristo. A Bíblia Sagrada revela a mente de Cristo e ensina o significado de Seu domínio. Na sua singular e una revelação da vontade de Deus para a humanidade, a Bíblia Sagrada é a autoridade final que atrai as pessoas a Cristo e as guia em todas as questões de fé cristã e dever moral. O indivíduo tem que aceitar a responsabilidade de estudar a Bíblia Sagrada, com a mente aberta e atitude reverente, procurando o significado de sua mensagem através de pesquisa e oração, orientando a vida debaixo de sua disciplina e instrução.

A Bíblia Sagrada como revelação inspirada da vontade divina, cumprida e completada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo, é a nossa regra autorizada de fé e prática.

O INDIVÍDUO

01 / Seu Valor

A Bíblia Sagrada revela que cada ser humano é criado à imagem de Deus; é único, precioso e insubstituível. Criado como ser racional, cada pessoa é moralmente responsável perante Deus e o próximo. O homem, como indivíduo é distinto de todas as outras pessoas. Como pessoa, ele é unido aos outros no fluxo da vida, pois ninguém vive nem morre por si mesmo.
A Bíblia Sagrada revela que Cristo morreu por todos os homens. O facto de ser o homem criado à imagem de Deus, e de Cristo morrer para salvá-lo, é a fonte da dignidade e do valor humano. Ele tem direito, outorgado por Deus, de ser reconhecido e aceito como indivíduo sem distinção de raça, cor, credo ou cultura; de ser parte digna e respeitada da comunidade; de ter a plena oportunidade de alcançar o seu potencial.
Cada indivíduo foi criado à imagem de Deus e, portanto, merece respeito e consideração como uma pessoa de valor e dignidade infinita.

02 / Sua Competência

O indivíduo, porque criado à imagem de Deus, torna-se responsável por suas decisões morais e religiosas. Ele é competente, sob a orientação do Espírito Santo, para formular a própria resposta à chamada divina ao Evangelho de Cristo, para a comunhão com Deus, para crescer na graça e conhecimento de nosso Senhor. Estreitamente ligada a esta competência está a responsabilidade de procurar a verdade e, encontrando-a, agir conforme esta descoberta e de partilhar a verdade com outros. Embora não se admita coação no terreno religioso, o cristão não tem a liberdade de ser neutro em questões de consciência e convicção. Cada pessoa é competente e responsável perante Deus, nas próprias decisões e questões morais e religiosas.

03 / Sua Liberdade

Os cristãos consideram como inalienável a liberdade de consciência e a plena liberdade de religião de todas as pessoas. O homem é livre para aceitar ou rejeitar a religião; escolher ou mudar sua crença; propagar e ensinar a verdade como a entenda, sempre respeitando direitos e convicções alheios; cultuar a Deus tanto a sós quanto publicamente; convidar outras pessoas a participarem nos cultos e outras actividades de sua religião; tal liberdade não é privilégio para ser concedido, rejeitado ou meramente tolerado é um direito outorgado por Deus.

A VIDA CRISTÃ

01 / A Salvação pela Graça

A Graça é a provisão misericordiosa de Deus para a condição do homem perdido. O homem no seu estado natural é egoísta e orgulhoso; ele está na escravidão de satanás e espiritualmente morto em transgressões e pecados. Devida a sua natureza pecaminosa, o homem não pode salvar-se a si mesmo. Mas Deus tem uma atitude benevolente em relação a todos, apesar da corrupção moral e da rebelião. A Salvação não é o resultado dos méritos humanos, antes emana de propósito e iniciativa divinos. Não vem através de mediação sacramental, nem de treinamento moral, mas como resultado da misericórdia e poder divinos. A salvação do pecado é a dádiva de Deus através de Jesus Cristo, condicionada, apenas, pelo arrependimento em relação a Deus, pela fé em Jesus Cristo e pela entrega incondicional a Ele como Senhor.

A Salvação, que vem através da Graça, pela fé, coloca o indivíduo em união vital e transformadora com Cristo, e se caracteriza por uma vida de santidade e boas obras. A mesma Graça, por meio da qual a pessoa alcança a Salvação, dá a certeza e segurança do perdão contínuo de Deus e de Seu auxílio na vida cristã.

A Salvação é dádiva de Deus através de Jesus Cristo, condicionada, apenas, pela fé em Cristo e rendição à soberania divina.

02 / As Exigências do Discipulado

O aprendizado cristão inicia-se com a entrega a Cristo, como Senhor. Desenvolve-se à proporção que a pessoa tem comunhão com Cristo e obedece aos Seus mandamentos. O discípulo aprende a verdade em Cristo somente por obedece-la. Esta obediência exige a entrega das ambições, dos propósitos pessoais e a obediência à vontade do Pai.

A obediência levou Cristo à cruz e exige de cada discípulo que tome a sua própria cruz e siga a Cristo.
O levar a cruz ou negar-se a si mesmo, expressa-se de muitas maneiras na vida do discípulo. Este procurará, primeiro, o Reino de Deus. Sua lealdade suprema será a Cristo. Ele será fiel em cumprir o mandamento de Cristo. Sua vida pessoal manifestará autodisciplina, pureza, integridade e amor cristão em todas as relações que tem com os outros. O discipulado é completo.
As exigências do discipulado cristão, baseadas no reconhecimento da soberania de Cristo, relacionam-se com a vida em um todo e exigem obediência e devoção completas.

03 / O Sacerdócio do Cristão

Cada homem pode ir directamente a Deus em busca do perdão, através do arrependimento e da fé. Ele não necessita, para isto, de nenhum outro indivíduo, nem mesmo da Igreja. Há só um mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo. Depois de tornar-se cristã a pessoa tem acesso directo a Deus, através de Cristo. Ela entra no sacerdócio real que lhe outorga o privilégio de servir à humanidade em Nome de Jesus Cristo. Deverá partilhar com os homens a fé que acalenta e servi-los em Nome e no Espírito de Jesus Cristo. O sacerdócio do cristão, portanto, significa que todos os cristãos são iguais perante Deus e na fraternidade da Igreja.

Cada cristão, tendo acesso directo a Deus através de Cristo, é seu próprio sacerdote, e tem a obrigação de servir de sacerdote em benefício de outras pessoas.

04 / O Cristão e seu Lar

O lar foi constituído por Deus como unidade básica da sociedade. A formação de lares verdadeiramente cristãos deve merecer o interesse particular de todos. Devem ser constituídos da união de dois seres cristãos, dotados de maturidade emocional, espiritual e física, e unidos por um amor profundo e puro. Devem também procurar dar o bom exemplo perante a sociedade na qual estão inseridos, através da prática dos valores contidos na Bíblia Sagrada.

A IGREJA
01 / Sua Natureza

Segundo o Novo Testamento, uma Igreja de Cristo é um corpo de cristãos baptizados, identificados uns com os outros pela confissão da mesma fé e unidos por uma mesma aliança na comunhão do Evangelho. É uma congregação de crentes baptizados regida pelos ensinamentos de Cristo, que observa as suas ordenanças, pratica os seus ensinos e exerce os dons, direitos e privilégios de que foi investida pela Bíblia Sagrada, com a finalidade de difundir o Evangelho em todas as nações. É uma comunidade autónoma sob a soberania de Jesus Cristo e regida por seus Estatutos próprios. Em um sentido amplo e geral, a Igreja é, segundo o Novo Testamento, o corpo de Cristo, incluindo todos os remidos de todos os tempos.

02 / O Batismo e a Santa Ceia do Senhor

O baptismo cristão é a imersão do crente em água e em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É um acto de fé que exterioriza na vida do cristão, a plena aceitação de Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Uma vez baptizado, o cristão fica em comunhão com a Igreja e deve participar da Santa Ceia.

A Santa Ceia do Senhor é um acto de obediência pelo qual os membros da Igreja participam do pão e do vinho, comemorando juntos a morte de Jesus Cristo e direccionando a fé comum para a Sua segunda vinda. Esta ordenança também representa a comunhão da Igreja com Ele, uma vez que representa espiritualmente a nossa participação na Sua morte e o testemunho vivo da nossa esperança.

03 / O Dia do Senhor

O Domingo é o Dia do Senhor, pois foi o dia que Ele ressuscitou triunfante dentre os mortos. O cristão deve aproveitar este dia para descansar de suas actividades seculares e consagrá-lo ao exercício do culto, do testemunho e de outras formas de serviço espiritual.

04 / Evangelização e Missões

É dever e privilégio de todas as Igrejas e de cada cristão em particular, esforçarem-se por fazer discípulos em todas as nações. O novo nascimento do espírito do homem, pelo Espírito de Deus, faz nascer nele também o amor pelos outros. Os ensinamentos de Jesus Cristo sempre foram claros em relação ao esforço missionário. Assim sendo é dever de todo o cristão procurar ganhar almas para o Salvador, através do evangelismo pessoal e do evangelismo de massa, usando todos os meios adequados para alcançar o maior número possível de pessoas entre os povos e nações.

CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS

01/ O Reino de Deus

É a soberania geral sobre o universo e sobre todos os homens que, espontânea e voluntariamente, reconhecem o Senhor Jesus como Rei e Salvador. Constitui-se dever espiritual para todo o cristão o esforço de oração para que o Reino de Deus venha em plenitude, bem como a sua vontade seja feita sobre a terra. A consumação plena do Seu Reino aguarda a segunda vinda de Jesus Cristo e o fim da era presente.

02 / Os Últimos Acontecimentos

Segundo a Sua soberana vontade e em seu devido tempo, Deus conduzirá todas as coisas neste mundo. A Bíblia Sagrada também afirma que haverá o governo do anticristo. Antes deste tempo, Jesus Cristo virá buscar a sua Igreja, assim como os mortos em Cristo ressuscitarão. Este evento será o Arrebatamento. Após o período de tribulação, que acontecerá no governo do anticristo, o Senhor Jesus voltará triunfante com a Sua Igreja para reinar durante mil anos. Após o Milénio, haverá o Julgamento Final, no qual Deus irá separar os não salvos dos salvos. Os não salvos serão todos aqueles que persistiram na incredulidade e na impenitência e que receberão no inferno a sua eterna punição. Os salvos, por sua vez, receberão corpos glorificados e habitarão eternamente no Céu com o Senhor Deus.

 03 / O Cristão e a Ordem Social

O cristão, por imperativo de consciência, aceita a supremacia de Cristo na sua vida e na sociedade humana. Consequentemente todos os princípios e métodos usados para a promoção da sociedade e o estabelecimento da justiça entre os homens, somente resultam em regeneração das pessoas quando fundados na Graça de Deus. Por isto, o cristão deve promover a justiça social e o amor fraternal, sempre pronto a cooperar com todos os homens de boa vontade em todas as causas justas. Para a eficácia de suas acções o cristão deve agir no espírito de amor, sem comprometer a ética cristã, procurando ser inteiramente leal a Cristo e à Sua Palavra.

04 / A Liberdade Religiosa

O cristão deve crer que Deus é o Único Senhor da consciência. Sendo o Governo de uma Nação uma Instituição estabelecida para promover os interesses e o bem-estar da sociedade a qual responde, torna-se dever do cristão orar pelas autoridades constituídas e prestar-lhes a devida obediência constitucional. Deve haver inteira separação entre a Igreja e o Estado. Uma Igreja livre num Estado livre é o ideal cristão.